APLICANDO A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS NO ENSINO DE MATEMÁTICA FUNDAMENTAL

Rosemeire Bressan

Resumo


O ensino de Matemática por meio da Resolução de Problemas tem sido estudado no Brasil por vários pesquisadores desde meados do século 20. Essa importância foi confirmada quando, em 2015, ocorreu a primeira vez que o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes(Pisa) inseriu a avaliação com Resolução Colaborativa de Problemas. De acordo com OECD (2017), nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, 28% dos estudantes são capazes de resolver apenas problemas de baixa complexidade e limitada colaboração e, embora tendam a focar no seu papel individual, quando apoiados por outros membros do grupo, podem ajudar a encontrar soluções para problemas simples. No Brasil, isso ocorre com cerca de 60% dos estudantes. Para os problemas de alta proficiência, apenas 1% dos alunos brasileiros atingiram esse nível. De acordo com Bressan(2016), a Resolução de Problemas passou a ser conhecida por meio da publicação de George Polya, em 1945. Ele lançou o livro intitulado “A arte de resolver problemas”, cujo objetivo foi apontar novos rumos para a aprendizagem em Matemática. Polya(1978) estabeleceu um conjunto de fases para a resolução de problemas, no qual o aluno deve: compreender os problemas, elaborar um plano de ação, executar o plano e verificar. Visando a contribuir com o processo de ensino-aprendizagem dos alunos do ensino fundamental da rede pública municipal, um curso sobre resolução de problemas foi desenvolvido no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus Catanduva. As aulas foram ministradas para alunos do sexto ao oitavo ano. Um questionário socioeconômico foi aplicado juntamente com um teste de sondagem, cujo intuito era de avaliar o conhecimento dos alunos em conceitos básicos de matemática e traçar o perfil desse aluno. A elaboração dos problemas para serem aplicados no curso tomou como base as dificuldades desse teste de sondagem. As atividades aplicadas foram separadas por temas, sendo estes diferentes a cada aula, para sanar as dificuldades dos alunos. Como recurso de pesquisa para a preparação desses problemas, livros didáticos, artigos e sites serviram como fonte. Os conteúdos desenvolvidos no curso foram formulação-generalização de problemas e resolução de problemas sobre adição, subtração, multiplicação, frações, expressões numéricas, potenciação, lógica, sequências numéricas, unidades de medida e volume. Com o desenvolvimento do curso observou-se que 78% dos alunos disseram gostar de matemática e 21% não entendem matemática. Os alunos apresentaram uma grande dificuldade na resolução de exercícios básicos que envolvem potenciação, fração e multiplicação. De acordo com as dificuldades apresentadas pelos alunos, os problemas foram sendo propostos. No decorrer do curso, que teve duração de 40 horas, foi possível perceber que os alunos começaram a desenvolver algumas habilidades que antes não apresentavam como, formular um problema, elaborar um plano de ação e executá-lo. Além disso, 80% deles apresentaram satisfação em relação às aulas ministradas. Quanto à contribuição que o curso gerou no processo de ensino e aprendizagem, 60% disseram que ocorreu uma melhora das notas e 70% conseguiram finalizar o processo para resolver um problema.


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Referências


FREITAS, G. MACEDO, I. R. Resolução de problemas: uma contribuição para o ensino de matemática da rede pública – nível fundamental. Olhar Tecnológico: Revista Acadêmica Fatec Catanduva, v. 3, p. 73-80, 2016.

POLYA, G. A arte de resolver problemas. Tradução de Heitor Lisboa de Araújo. Rio de Janeiro: Interciência, 1978.

ORGANIZATION FOR ECONOMIC COOPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). PISA 2015: results: collaborative problem solving. Paris: PISA, OECD Publishing, 2017. v. 5. Disponível em: https://read.oecd-ilibrary.org. Acesso em: 10/05/2018.


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