AS PERCEPÇÕES DOS GRADUANDOS EM MEDICINA NO TRATAMENTO DE ADOLESCENTES USUÁRIOS DE DROGAS NO CAPS AD: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Bruno De Moraes Dolce, Beatriz Zambon Villas Boas, Reinaldo Antonio de Carvalho

Resumo


A adolescência é uma fase entre a infância e fase adulta, dependendo de circunstâncias sociais e históricas para a formação do indivíduo. As duas últimas maiores pesquisas relacionadas ao padrão de consumo de drogas realizadas no Brasil, entre os anos de 2011 a 2013, CEBRID e Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), revelaram resultados com aumento do uso do crack e uma baixa na média de idade entre os usuários. Esses números refletem a falta de estratégias nos modelos de saúde e prevenção. Entre usuários de crack e outras drogas a base de cocaína, 370.000 pessoas estão nas capitais do país e no Distrito Federal. O olhar do profissional deve abranger uma abordagem histórica e antropológica que identifica multiplicidade de questões envolvidas nesse tema, não se detendo nas legislações em vigor que se voltam mais aos interesses econômicos e políticos, que científicos. Diante desse panorama, são identificadas categorias que ressaltam a dificuldade na abordagem dos adolescentes usuários de drogas. Assim, objetivo deste trabalho é relatar a experiência enquanto graduandos do curso de Medicina da UNIFEV, no cenário CAPSAD na abordagem biopsicossocial de adolescentes usuários de drogas e as dificuldades encontradas para a compreensão das necessidades deste ciclo de vida. Para tal, a metodologia utilizada foi relato de experiência. A partir da discussão do trabalho, podemos inferir que o usuário geralmente passa nos níveis de atenção primária sem receber a atenção e o tratamento adequado. Tal situação, torna crescente a judicialização da saúde para este adolescente, que passa a ser atendido e tratato somente quando é determinado pelo juiz. Assim, um dos grandes desafios é incluir o núcleo de referência do adolescente usuário de drogas na rotina de tratamento. Dessa forma, é possível transformar um fator de risco em fator de proteção. Podemos concluir que o cenário da dependência química voltada para a adolescência há muito se discute fatores de risco e fatores de proteção ou vulnerabilidades que estão envolvidos neste ciclo de vida. Esses fatores são abordados como questões predominantemente voltadas à saúde. Temos poucas estratégias de tratamento e nenhuma política efetiva de prevenção. Os demais fatores vinculados ao desenvolvimento psicossocial e educacional de adolescentes são poucos considerados nas análises voltadas para a compreensão dos processos de desenvolvimento e de adoecimento de adolescentes.

Palavras-chave: Adolescência. Drogas. CAPSAD.

 

REFERÊNCIAS:

 

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