PRÁTICA DOCENTE: “PROFESSOR, JÁ VIU MINHA MENSAGEM?” OCELULAR E O IMEDIATISMO QUE NOS CONSOME
Resumo
O pós-pandemia trouxe inúmeras transformações no cotidiano acadêmico; entre elas, o celular tornou-se um canal permanente de comunicação e cobrança. Muitos alunos esperam respostas instantâneas, mensagens fora de horário e orientações urgentes por aplicativos. O professor, por sua vez, é empurrado para um terreno de disponibilidade contínua, sem que o rigor da reflexão e a gestão do tempo sejam respeitados.
É curioso notar que, mesmo estando fisicamente presentes, muitos estudantes não se manifestam em sala. Silenciam-se durante a aula, evitam perguntas, mas minutos depois, quando o professor cruza a porta, surge uma enxurrada de mensagens no WhatsApp. Esse comportamento revela a lógica da comunicação digital: mais rápida, menos exigente de exposição pública, porém igualmente imediatista.
Bauman (2001, p. 87) observa que “o velho limite sagrado entre o horário de trabalho e o tempo pessoal desapareceu; estamos permanentemente disponíveis, sempre no posto de trabalho”. Essa dissolução das fronteiras amplia-se quando o celular se converte em extensão da sala de aula, criando a sensação de que o professor deve estar sempre acessível. Capeletti (2024) acrescenta que a cultura da mensagem instantânea desloca o ritmo pedagógico, impondo urgências artificiais e sobrecarregando o docente.
É nesse cenário que precisamos reafirmar limites: o professor está disponível no espaço presencial da aula e também por meio de canais institucionais, mas não pode se reduzir a uma resposta imediata em aplicativos pessoais. Ensinar é também educar para o tempo: o nosso e o dos alunos.