EDUCAÇÃO & SOCIEDADE: POLÍTICA EXPANSIONISTA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL: QUANTIDADE E/ OU QUALIDADE?
Resumo
A política expansionista de educação superior no Brasil, implementada nas últimas décadas, priorizou a abertura de novos cursos e o aumento de matrículas, em resposta às demandas do mercado e pressões sociais. Essa expansão, no entanto, focou mais na quantidade do que na qualidade e/ou à sua transformação e sem promover uma formação profissional qualificada, crucial para abordar as desigualdades regionais.
Uns dos alicerces da expansão universitária no Brasil foi o fomento do ensino a distância (EaD) como fonte de forte ampliação. O discurso predominante é de que o EaD alcançaria a população em regiões distantes e com menores oportunidades de acesso ao ensino superior, além de proporcionar a esse público possibilidade de desenvolvimento cultural, além de incidir na redução de desigualdades regionais.
Para quantificar essa expansão, entre 2000 e 2022, as matrículas no ensino superior no Brasil cresceram significativamente, com o aumento de 6,8% para 18,4% na população com 25 anos ou mais que completou a graduação. A maior parte das matrículas concentra-se na rede privada, que, em 2022, representava cerca de 75% das matrículas totais. Houve um crescimento exponencial nas matrículas em cursos EaD. Em 2023, a modalidade já representava 49,3% das matrículas totais do país, especialmente na rede privada.
Por fim, compreendo que o EaD, de fato, amplia matrículas. Todavia, entendo que tal processo é questionável, pois não contempla a tríplice dimensão de ensino, pesquisa e extensão; sem a vivência discente no universo acadêmico e sem contato presencial com pares e um corpo docente variado, o que enriqueceria e problematizaria criticamente a formação. Deixo uma reflexão, como equacionar a necessidade da educação superior e de novos profissionais em nosso país, com a formação de qualidade reconhecida?