EDUCAÇÃO & SAÚDE: demandas emergentes para a educação em saúde
Resumo
A educação em saúde traz desafios muito além do ensinar e aprender. A matriz de conteúdos robusta, do modelo Flexneriano, do início do século passado, não se mostra efetiva à formação para as demandas de saúde, na atualidade.1 As necessidades de saúde mudaram. O apelo às estratégias coletivas de promoção de saúde e projetos de intervenção para prevenção de doenças sensíveis à atenção primária demandam a formação de profissionais com visão integrativa e humanista, algo que vai muito além de matrizes de ensino infladas de patologia.
O mundo globalizado não significa territórios de saúde nivelados.2 Cada território tem suas próprias necessidades de saúde relacionadas às vulnerabilidades biológicas e sociais de sua população, e a adesão aos projetos de promoção e prevenção depende das condições econômicas regionais, além da cultura dos grupos sociais, muitos deles, invisibilizados.
Formar profissionais de saúde usando matriz de conteúdos completa e especializada não garante egressos aptos a essas demandas. O educador em saúde deve pensar mais sobre o perfil do egresso esperado pela sociedade, na região de saúde onde seu complexo acadêmico está inserido.3 O educador em saúde deve fazer isso pelo bem da população. Ele deve fazer isso, também, pelo bem do egresso, afinal, a sua formação adequada às necessidades de saúde locais e regionais será a melhor garantia de empregabilidade.
A responsabilidade de educar em saúde demanda habilidades do educador em ensinar, garantir oportunidade para aprender e, por fim, entregar ao educando formação suficiente para empregá-lo e devolvê-lo apto à (re)inserção social.