EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: sociedade performática e educação
Resumo
Sugiro uma reflexão acerca da performance e a performatividade na sociedade, na economia e na educação. A performatividade é
conceituada como uma cultura, uma tecnologia, e uma forma de regulação que resulta em comparação, exposição e julgamento. Já as
performances – seja de pessoas ou organizações – se enquadram com mensuração de resultados, como reflexo de qualidade. Elas expressam a
categoria ou a valia de uma pessoa ou de uma organização nos moldes de julgamento, talvez uma das características mais comuns da “condição
pós-moderna”.
Busco entender e estabelecer a existência de uma postura e de um arcabouço ético com os quais acadêmicos, professores e pesquisadores
em qualquer nível de ensino estão sendo direcionados a trabalhar e pensar, acerca do que fazem ou sobre o que são. Nessa representação,
profissionais da educação são alentados a pensar sobre si mesmos como indivíduos que mensuram a si mesmos, que “agregam valor” a si
mesmos, que potencializam sua produtividade, que vivem uma necessidade de quantificação.
Porém, temos chances para ficarmos animados e gatilhos diários para não aceitar tais estilos de responsabilização de nós mesmos, não de
maneira apática, mas sim como um possível ativismo.
Revivendo a nossa essência de educadores, somos ainda, e antes de qualquer coisa, atores sociais. Temos uma missão de cidadania: nossa
finalidade não é desenvolver produtores, consumidores, mão-de-obra produtiva, mas cidadãos com uma consciência e uma competência política,
fundamentalmente para julgar de forma crítica e alicerçada a evolução da nossa sociedade e, se for preciso, opor-se a presente e intensa busca
pela performance individual.