A CIÊNCIA DIZ: Síndrome de Burnout, Sobrecarga de Papéis e Suporte Social em Professores Universitários.
Resumo
O artigo analisou como o suporte social, entendido como relações sociais úteis para manejo do estresse no ambiente de trabalho, assim como receber demonstrações de afeto, trocas de informações, dicas práticas, auxílio em tarefas e conselhos, podem ser formas de minimizar sinais de Burnout, um tipo de esgotamento ligado ao trabalho, em professores universitários. Na revisão de literatura, as autoras mencionaram estudos que demonstram que a docência universitária tem se tornado cada vez mais exigente, com múltiplas tarefas, instabilidade, pressão por produção, conflitos interpessoais e falta de autonomia.
A profissão aparece como exposta a diversos riscos psicossociais preditores de adoecimento mental, como excesso de demandas, cultura organizacional competitiva, falta de reconhecimento e mudanças tecnológicas contínuas. O estudo contou com uma amostra de 362 docentes, sendo aplicados os seguintes instrumentos: questionário de dados sociodemográficos e laborais (dados pessoais, carga horária, tipo de instituição, tempo de casa etc) e dois questionários validados para avaliação de síndrome de burnout em professores. Os resultados apontam que a sobrecarga amplia o desgaste com a profissão, irritabilidade, falta de motivação e atitudes de distanciamento emocional com alunos e pares. Demonstram também que o suporte social atua como mecanismo de proteção, ampliando sensação de bem-estar no trabalho.
O estudo contribui com o entendimento de que o adoecimento mental de professores precisa ser analisado sob uma ótica mais ampla, que inclui condições organizacionais, exigências elevadas e baixa rede de apoio e não apenas características individuais. Como implicações para a prática, sugere-se uma maior atenção às relações interpessoais no trabalho, por meio de estratégias de desenvolvimento de competências socioemocionais para o trabalho em equipe.