PRÁTICA DOCENTE: A autonomia discente no ensino superior.
Resumo
No contexto do ensino superior, um dos grandes desafios da prática docente é favorecer a autonomia dos estudantes. Em especial nos cursos da área da saúde - que exigem tomada de decisão, postura crítica e responsabilidade ética -, formar alunos autônomos é também formar futuros profissionais mais conscientes de seu papel social. No entanto, essa autonomia não se desenvolve espontaneamente: ela precisa ser estimulada, orientada e consolidada ao longo do percurso formativo. Para isso, é necessário que o professor repense sua própria postura em sala de aula, assumindo o papel de facilitador da aprendizagem. Práticas como o ensino baseado em problemas (PBL), os contratos de aprendizagem, os portfólios reflexivos e as tutorias por pares são estratégias que favorecem o protagonismo discente e promovem uma cultura de corresponsabilidade.
Essa abordagem implica oferecer aos estudantes oportunidades reais de tomada de decisão, resolução de problemas e avaliação contínua. Nesse processo, o erro deixa de ser um fracasso e passa a ser compreendido como parte integrante da aprendizagem.
Segundo Zabala e Arnau (2010, p. 45), “ensinar a aprender é mais que ensinar conteúdos; é favorecer a capacidade de continuar aprendendo ao longo da vida”. Essa perspectiva desloca o foco da simples memorização para o desenvolvimento de competências metacognitivas e atitudes proativas.
Fomentar a autonomia é, portanto, um investimento na qualidade da formação acadêmica. Cabe ao professor criar condições didáticas que estimulem o envolvimento crítico, reflexivo e responsável do estudante em sua própria trajetória de aprendizagem.