A CIÊNCIA DIZ: Transtorno do Espectro Autista no contexto universitário - características, desafios e estratégias de inclusão
Resumo
Abril é reconhecido como o mês de conscientização sobre o autismo, sendo celebrado, em 02 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Nesse contexto, visando à ampliação do conhecimento sobre o tema, apresenta-se o Guia de Orientações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto universitário, elaborado pela Unesp, como um instrumento norteador que reúne informações científicas e orientações práticas voltadas à promoção da inclusão e do respeito às pessoas com TEA no ambiente acadêmico.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por déficits persistentes na comunicação e na interação social, associados a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Trata-se de uma condição de manifestação heterogênea, que varia em intensidade e forma, o que justifica a noção de espectro. Sua etiologia é considerada multifatorial, envolvendo aspectos genéticos, neurológicos e ambientais.
No contexto do ensino superior, estudantes com TEA podem apresentar desafios relacionados à organização e ao planejamento de atividades acadêmicas, à compreensão de linguagem abstrata, à interação social, à adaptação a mudanças e ao manejo de estímulos sensoriais. Tais dificuldades, quando associadas à insuficiência de suporte institucional, podem impactar negativamente o desempenho acadêmico, contribuindo para o aumento dos níveis de ansiedade, isolamento social e risco de evasão.
Por outro lado, esses estudantes também apresentam potencialidades relevantes, tais como atenção a detalhes, pensamento lógico, boa memória, elevada capacidade de concentração em temas de interesse e adesão a regras e rotinas. Essas características podem favorecer o desempenho acadêmico, especialmente quando inseridas em contextos educacionais que valorizem a diversidade e promovam práticas inclusivas.
A literatura aponta que a adoção de estratégias pedagógicas acessíveis é fundamental para a permanência e o sucesso acadêmico desses estudantes. Dentre as recomendações, destacam-se: a apresentação clara e estruturada dos conteúdos, o uso de recursos visuais, a explicitação de critérios avaliativos, a flexibilização de prazos e a oferta de formatos avaliativos adaptados. O suporte institucional, que inclui apoio pedagógico, psicológico e social, mostra-se essencial para a garantia de condições equitativas de aprendizagem.
Por fim, ressalta-se a importância da desconstrução de preconceitos e estereótipos relacionados ao TEA, reconhecendo-o como uma condição do neurodesenvolvimento que não implica, necessariamente, deficiência intelectual. A promoção de uma cultura acadêmica inclusiva, pautada no respeito às diferenças e na valorização da diversidade, constitui elemento central para assegurar o acesso, a permanência e o êxito de estudantes com TEA no ensino superior.
Referência
OLIVATI, A. G. et al. Guia de orientações sobre Transtorno do Espectro Autista. 2. ed. Bauru: Universidade Estadual Paulista (Unesp), Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design, 2022. Disponível em: https://site.fo.usp.br/wp-content/uploads/2025/07/Cartilha-TEA.pdf. Acesso em: 2 abr. 2026.