A CIÊNCIA DIZ:  Transtorno do Espectro Autista no contexto universitário - características, desafios e estratégias de inclusão

Autores

  • Giovana Regina da Silva Cristante Autor

Resumo

 Abril é reconhecido como o mês de conscientização sobre o autismo, sendo celebrado, em 02 de abril, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Nesse contexto, visando à ampliação do conhecimento so­bre o tema, apresenta-se o Guia de Orientações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto universitário, elaborado pela Unesp, como um instrumento norteador que reúne informações científicas e orientações práticas voltadas à promoção da inclusão e do respeito às pessoas com TEA no ambiente acadêmico.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por déficits persistentes na comunicação e na interação social, associados a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Trata-se de uma condição de manifestação hete­rogênea, que varia em intensidade e forma, o que justifica a noção de espectro. Sua etiologia é considerada multifatorial, envolvendo aspectos genéticos, neurológicos e ambientais.

No contexto do ensino superior, estudantes com TEA podem apresentar desafios relacionados à orga­nização e ao planejamento de atividades acadêmicas, à compreensão de linguagem abstrata, à interação social, à adaptação a mudanças e ao manejo de estímulos sensoriais. Tais dificuldades, quando associadas à insuficiência de suporte institucional, podem impactar negativamente o desempenho acadêmico, con­tribuindo para o aumento dos níveis de ansiedade, isolamento social e risco de evasão.

Por outro lado, esses estudantes também apresentam potencialidades relevantes, tais como atenção a detalhes, pensamento lógico, boa memória, elevada capacidade de concentração em temas de interesse e adesão a regras e rotinas. Essas características podem favorecer o desempenho acadêmico, especialmente quando inseridas em contextos educacionais que valorizem a diversidade e promovam práticas inclusivas.

A literatura aponta que a adoção de estratégias pedagógicas acessíveis é fundamental para a perma­nência e o sucesso acadêmico desses estudantes. Dentre as recomendações, destacam-se: a apresentação clara e estruturada dos conteúdos, o uso de recursos visuais, a explicitação de critérios avaliativos, a flexibili­zação de prazos e a oferta de formatos avaliativos adaptados. O suporte institucional, que inclui apoio peda­gógico, psicológico e social, mostra-se essencial para a garantia de condições equitativas de aprendizagem.

Por fim, ressalta-se a importância da desconstrução de preconceitos e estereótipos relacionados ao TEA, reconhecendo-o como uma condição do neurodesenvolvimento que não implica, necessariamente, defici­ência intelectual. A promoção de uma cultura acadêmica inclusiva, pautada no respeito às diferenças e na valorização da diversidade, constitui elemento central para assegurar o acesso, a permanência e o êxito de estudantes com TEA no ensino superior.

Referência

OLIVATI, A. G. et al. Guia de orientações sobre Transtorno do Espectro Autista. 2. ed. Bauru: Universidade Estadual Paulista (Unesp), Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design, 2022. Disponível em: https://site.fo.usp.br/wp-content/uploads/2025/07/Cartilha-TEA.pdf. Acesso em: 2 abr. 2026.

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Publicado

2026-05-06