CONSTRUINDO COMPETÊNCIAS - Competências Formativas e o Uso da Inteligência Artificial: uma perspectiva crítica

Autores

  • Dr. Anderson Bençal Indalécio Centro Universitário de Votuporanga – UNIFEV Autor

Resumo

A rápida expansão das ferramentas de Inteligência Artificial (IA) tem provocado transformações significativas nos processos educacionais, exigindo uma revisão das competências necessárias à formação acadêmica e profissional. Embora a IA ofereça oportunidades importantes para
ampliar o acesso à informação, personalizar experiências de aprendizagem e otimizar tarefas, seu uso demanda uma postura crítica, ética e reflexiva.
Nesse cenário, uma das principais competências formativas do século XXI consiste em desenvolver a capacidade de dialogar com as tecnologias sem transferir a elas a responsabilidade pelo pensamento humano. A facilidade de obtenção de respostas prontas pode gerar uma falsa percepção de aprendizagem, comprometendo processos fundamentais como a análise, a argumentação, a criatividade e a autonomia intelectual.
Mais do que aprender a utilizar ferramentas digitais, torna-se indispensável compreender seus limites, potencialidades e implicações sociais. O estudante precisa desenvolver competências relacionadas à curadoria da informação, à verificação de fontes, à interpretação contextualizada dos
dados e à tomada de decisões fundamentadas em critérios científicos e éticos.
Freire (1996) já alertava que ensinar não significa transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua produção e reconstrução. Essa premissa permanece atual diante da Inteligência Artificial: a tecnologia deve atuar como instrumento de apoio, e não como substituta dos processos humanos de aprendizagem, investigação e produção do conhecimento.
Da mesma forma, a Unesco (2023) ressalta que a integração da IA à educação deve estar acompanhada do desenvolvimento do pensamento crítico, da cidadania digital e da responsabilidade social. Assim, a construção de competências formativas passa a envolver não apenas o domínio técnico das ferramentas, mas, sobretudo, a capacidade de utilizá-las de maneira consciente, ética e humanizada.
Em uma sociedade cada vez mais mediada por algoritmos, formar sujeitos competentes significa preservar aquilo que continua sendo exclusivamente humano: a sensibilidade, a criatividade, a reflexão crítica e o compromisso com a transformação social.

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Publicado

2026-06-25