EDUTECH - Ferramentas Digitais e Prática Docente: caminhos para a autonomia de estudantes com deficiência visual

Autores

  • Me. Fernando Datorre Centro Universitário de Votuporanga – UNIFEV Autor
  • Larissa Gabriela de Oliveira Greco Centro Universitário de Votuporanga – UNIFEV Autor

Resumo

Receber um estudante cego ou com baixa visão pela primeira vez costuma despertar no professor universitário uma mistura de insegurança e vontade de acertar. A sensação reflete o próprio cenário da pesquisa na área: ao analisarem 33 teses e dissertações sobre tecnologias assistivas e deficiência visual, Amorim e Santos (2025) encontraram apenas três voltadas ao ensino superior. Ou seja, boa parte do que se sabe sobre o tema foi construída a partir da educação básica, e o docente universitário muitas vezes precisa abrir caminho por conta própria.
Leitores de tela, recursos de áudio, Braille digital e aplicativos de reconhecimento permitem que estudantes leiam, pesquisem, escrevam e naveguem por diferentes ambientes. O NVDA, por exemplo, é um leitor de tela gratuito e de código aberto que permite a pessoas cegas ou com baixa visão utilizar computadores Windows por meio de voz sintetizada ou Braille. Ambientes virtuais de aprendizagem, como o Moodle, também possuem recursos de acessibilidade, mas a forma como o professor estrutura seus conteúdos e atividades é determinante para que esses recursos sejam efetivos.
Mas nenhuma dessas ferramentas funciona sozinha. O que de fato faz diferença é o professor que decide incorporá-las ao planejamento, conversa com o estudante sobre suas necessidades e ajusta a forma de ensinar. Machado (2026) observa que, embora leitores de tela, ampliadores e aplicativos acessíveis favoreçam a autonomia, ainda existem desafios de formação e  institucionais para que a inclusão se efetive.
Esse trabalho também passa pela aproximação entre docentes e áreas de tecnologia, para que os recursos de acessibilidade façam parte do planejamento e não sejam utilizados apenas quando surge uma dificuldade. Silva (2026) chama atenção justamente para essa integração entre acessibilidade tecnológica e mediação pedagógica.
Afinal, quando o estudante consegue ler, pesquisar e produzir sem depender o tempo todo de outra pessoa, ele passa a participar da vida acadêmica com mais autonomia. Olegário et al. (2024) mostram que o uso dessas tecnologias repercute na permanência, no desempenho acadêmico e na trajetória universitária. Isso reforça que a acessibilidade não se resume ao acesso ao conteúdo, mas também às condições para que o estudante desenvolva suas próprias estratégias de estudo e aprendizagem.

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Publicado

2026-10-30