METODOLOGIA A+ - Na Pele do Outro: a interpretação de papéis (role-play)
Resumo
O role-play (ou interpretação de papéis) é uma estratégia de ensino em que os estudantes recebem um papel, como o de julgador, promotor ou governante, e devem pensar, opinar e se portar de acordo com ele durante a atividade. Não é preciso distribuir vários papéis: basta um, ainda que atribuído à turma toda. Geralmente, é combinada com outras estratégias, como o debate, o diálogo socrático, o método do caso e o trabalho em grupo. Ao ocupar o lugar de outro agente social, o discente deixa a posição passiva e passa a identificar e problematizar interesses, opiniões e ações dos envolvidos, argumentar com base em materiais jurídicos (legislação, jurisprudência etc.), contra-argumentar e refletir sobre conceitos e teorias a partir de múltiplos pontos de vista, desenvolvendo a empatia.
Em uma experiência com estudantes de Ciências Contábeis, que representaram profissionais de companhias abertas diante de investidores, os participantes perceberam o desenvolvimento de habilidades de todas as categorias cognitivas da Taxonomia de Bloom, em especial a visão prática da tomada de decisões. Entretanto, o principal risco é que os alunos não levem o papel a sério. Para evitá-lo, recomenda-se questioná-los a partir da perspectiva assumida, por exemplo, se manteriam a posição defendida diante de suas consequências, e avaliar se a turma está preparada para sustentar pontos de vista diferentes dos seus. Também representam desafios a extensão da atividade, a falta de tempo e a timidez de alguns discentes.
Por fim, é indispensável realizar um fechamento com devolutivas, retomando os argumentos e os conceitos trabalhados. Conclui-se, assim, que o role-play aproxima a teoria da prática profissional e estimula a responsabilidade do estudante pelo próprio aprendizado.