EDUCAÇÃO & SAÚDE - Avaliação Somativa Global: atributo de validade para o processo formador nos cursos da saúde

Autores

  • Dr. Wagner Moneda Telini Centro Universitário de Votuporanga – UNIFEV Autor

Resumo

O processo avaliativo ganha relevância na formação em saúde, com crescente preocupação com a diversidade, a validade e a reprodutibilidade. Nesse contexto, destaca-se a proposta de adoção da avaliação programática, que representa um marco na avaliação de competências formadoras (Kane, 2013).
Entretanto, ainda há alguns pontos de fragilidade, como a forte dependência dos campos de prática, cujas interferências externas podem prejudicar o ambiente de aprendizagem e introduzir vieses durante a análise do desempenho do estudante. Há, também, variação no nível de rigor dos professores e preceptores, que podem hesitar em registrar avaliações negativas.
Outro fator de risco é que os registros de baixo impacto (low-stakes) compõem o portfólio utilizado para a decisão final (high-stakes). Por isso, os estudantes buscam ser avaliados em tarefas fáceis e evitam expor lacunas de aprendizado (Ferrão, 2012).
A combinação de dados quantitativos e qualitativos heterogêneos, sem critérios psicométricos de padronização, torna as decisões propensas à subjetividade. O benefício da dúvida, muitas vezes, prevalece, e a avaliação programática perde força.
Diante disso, é prudente incorporar instrumentos de avaliação fundamentados na psicometria moderna ao longo do processo de avaliação programática.As avaliações somativas globais são úteis para esse fim, pois permitem avaliar, de forma válida e objetiva, os conteúdos teóricos, atitudinais e procedimentais que contribuem para a formação de competências profissionais.  Elas possibilitam avaliar a eficiência da aprendizagem integrada, ao reunir, em seus itens, conteúdos contemplados em duas ou mais unidades curriculares da matriz do curso de graduação.
Assim, as competências profissionais são avaliadas em cada item da avaliação somativa global, elaborado com base em roteiros padronizados (blueprints de avaliação), que combinam conhecimentos, habilidades e atitudes necessários ao desenvolvimento das competências profissionais em cada ciclo de formação.
Os roteiros de elaboração de itens de avaliação também são úteis para avaliar outros importantes componentes do perfil profissional, como o nível de experiência esperado e a capacidade de aplicação de competências profissionais em cenários reais, com limitações de recursos e necessidades específicas de saúde.
É necessário cuidado no momento da aplicação, respeitando os marcos institucionais e as transições entre os ciclos de formação. Um exemplo é o curso de Medicina, no qual se preconiza a realização da avaliação somativa global pouco antes do início do estágio curricular obrigatório (ABEM, 2026).

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Publicado

2026-10-30