METAMORFOSE E ANALEPSE EM O MOTOQUEIRO QUE VIROU BICHO, DE RICARDO AZEVEDO

Autores

  • Laila Angelica Moraes

Resumo

A literatura juvenil contemporânea frequentemente utiliza recursos narrativos e simbólicos para representar os processos de formação da identidade humana. Nesse contexto, o romance O motoqueiro que virou bicho, de Ricardo Azevedo, apresenta a transformação do protagonista como uma metáfora do amadurecimento e da construção do sujeito. Este artigo tem como objetivo analisar a presença da metamorfose e da analepse na obra, investigando como esses recursos contribuem para a representação do desenvolvimento psicológico, moral e social da personagem Lúcio. Justifica-se a pesquisa pela relevância da produção de Ricardo Azevedo para a literatura brasileira contemporânea e pela necessidade de aprofundar estudos acerca das estratégias narrativas utilizadas na literatura destinada ao público juvenil. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter interpretativo, fundamentada em estudos sobre teoria da narrativa, especialmente o conceito de analepse, e sobre identidade e metamorfose humana, articulando tais referenciais à análise do romance. A investigação demonstra que a metamorfose da personagem ultrapassa a transformação física em cachorro, assumindo um significado simbólico relacionado ao processo de amadurecimento e construção identitária. Paralelamente, a utilização da analepse organiza a narrativa memorialística, permitindo ao narrador reinterpretar acontecimentos passados à luz da experiência adquirida. Conclui-se que ambos os recursos narrativos desempenham papel fundamental na construção dos sentidos da obra, evidenciando a literatura como espaço privilegiado de reflexão sobre a condição humana e os processos de transformação do indivíduo.

 

Palavras-chave: literatura juvenil; metamorfose; analepse; identidade; Ricardo Azevedo.

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Publicado

2026-08-03